Princípios do Fórum Nacional Contra o Pedágio

FÓRUM NACIONAL CONTRA O PEDÁGIO

I          Fórum Nacional Contra o Pedágio

I.I.       Manifesto

CHEGA DE PEDÁGIOS!

 Ou paramos o pedágio, ou o pedágio para o Brasil.

O Fórum Popular Contra o Pedágio é uma organização suprapartidária de defesa da cidadania plena e do direito constitucional de ir e vir. E um movimento multidisciplinar de estudo voltado à mobilização da sociedade civil contra essa cobrança irregular de pedágio considerada pelas forças vivas que aqui se manifestam como mais um imposto.

A campanha anti-pedágio é fundamentada pela sua “Carta de Princípios” que condena as privatizações e exploração das rodovias municipais, estaduais e federais. Ao mesmo tempo, exige a aplicação urgente da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) na recuperação das vias que compõem os modais de transporte brasileiro.

A CIDE é o imposto embutido no preço da gasolina, instituída pelo governo federal, em 2002, com o objetivo de recuperar a malha rodoviária e deixar de lado a cobrança de pedágio. Mas o dinheiro arrecadado cerca de R$ 60.000.000.000,00 (60 bilhões de reais), em valores atualizados até fevereiro de 2010, está sendo gasto no pagamento da dívida externa, entre outras funções que não a infra-estrutura rodoviária. Portanto, os usuários de todos os modais de transporte pagam por um serviço não efetuado, haja vista que o custo da recuperação total das rodovias custa em torno de oito bilhões de reais.

A sociedade é quem paga a conta. Além de as rodovias em que trafegamos e escoamos a produção nacional já estarem amortizadas, também pagamos o IPVA justamente para recuperar as rodovias sem necessidade de pedágios! A CIDE, portanto, é um acinte à inteligência da sociedade e se constitui numa “tri-tributação”.

A cobrança de pedágio causa um desarranjo econômico nas localidades, dificulta a competitividade e gera desemprego nas localidades em que é feita. Promove também barreiras nos relacionamentos humanos e sociais das comunidades.

Por fim, conclamamos a todos os cidadãos de bem a se unirem nesta jornada cívica em defesa do patrimônio público e contra o pedágio e as privatizações das rodovias. Chega de pedágios!

 I. II. CARTA DE PRINCÍPIOS DO FÓRUM NACIONAL CONTRA O PEDÁGIO

 CONSIDERANDO:

1. Que as rodovias municipais, estaduais e federais brasileiras são partes constitutivas do patrimônio público construídas ao logo das últimas décadas.

2. Que as rodovias existentes já estão pagas por meio de cobrança compulsória de impostos.

3. Que as rodovias municipais, estaduais e federais são imprescindíveis ao processo de desenvolvimento e à geração de riquezas nacionais.

4. Que o direito inalienável dos cidadãos de ir e vir previsto na Constituição Federal Brasileira.

5. Que a inexistência de rotas rodoviárias públicas alternativas e de qualidade.

6. Que a necessidade cotidiana de os usuários se locomoverem.

7. Que o direito de os produtores rurais e industriais escoarem seus produtos.

8. Que a produção com menos ônus e taxas é sinônimo de mais renda e emprego à população.

9. Que as comunidades que residem próximas às barreiras (praças de pedágio).

10. Que as pessoas que precisam trabalhar e estudar e interagir com outras de suas relações sociais.

11. Que a necessidade política de romper com o “apartheid” que as barreiras criaram para essas comunidades.

12. Que o desarranjo econômico e social nas áreas em que estão presentes as barreiras.

13. Que a experiência anterior da luta do Fórum Popular Contra a Venda da Copel, em 2001, que impediu a privatização da estatal de energia paranaense.

 I. III. O FÓRUM NACIONAL CONTRA O PEDÁGIO DEFENDE

1. A responsabilidade pública inalienável das rodovias do território nacional, da infra-estrutura e dos serviços prestados no âmbito do transporte público; responsabilidade que só pode ser exercida pêlos Órgãos de Soberania legitimamente representantes dos cidadãos (usuários) e com o objetivo claro de melhorar o bem estar comum da população.

2. A gestão das rodovias públicas deve permanecer pública.

3. A responsabilidade do Estado em garantir a segurança das pessoas, das infra-estruturas e dos serviços em relação a acidentes provocados decorrentes da falta de manutenção.

4. A responsabilidade do Estado de basear a gestão das rodovias num planejamento colegiado e com suporte cientifico adequado.

5. O enquadramento legal, institucional e de administração econômica que garanta de fato o direito de cada cidadão à liberdade de ir e vir, ao acesso ao trabalho e à escola.

6. Interagir com os partidos políticos, sociedade civil organizada e personalidades públicas.

7. Trabalhar com a concepção suprapartidária e multidisciplinar em defesa dos interesses da cidadania e dos direitos democráticos.

8. Serviços Públicos de Transportes competentes, transparentes e funcionais, dotados da estrutura e dos recursos científicos, tecnológicos e financeiros adequados.

9. Ser contra quaisquer tipos de cobrança abusiva de pedágio e taxas de serviços nas rodovias públicas municipais, estaduais e federais por significar uma bi-tributação, vez que pêlos impostos e tributos já pagos pelos usuários garantem o direito aos deslocamentos, bem como propiciaram ao longo das últimas décadas, a construção de todas as rodovias públicas do pais, cabendo hoje apenas e tão somente a conservação e manutenção pelo Estado.

10. A garantia das liberdades individuais, de ir e vir, conforme estabelece a Constituição Federal Brasileira.

11. Aplicação efetiva da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) na recuperação das rodovias municipais, estaduais e federais.